A clínica psicanalítica remete à criação e manutenção de espaço para que a palavra circule. Lugar em que se possa falar sobre si, das relações que estabelece na vida. Isso com a abertura que lhe for viável. Falar sobre aquilo que não vai bem, mas não só. O analista atua nesse espaço ajustando sua escuta à serviço do tratamento.

    Esta experiência, de palavras e silêncios, permite tomar contato, a partir de outros ângulos, com seus tensionamentos, suas contradições e impasses; com as repetições, que de algum modo sente não lhe caber. Que dali possam se abrir vias para fazer diferente, em relação àquilo de que se queixa. 

    Uma análise jamais será igual à outra e cada sessão tem seu ritmo próprio. Demanda entrega e persistência, o que não quer dizer que necessariamente demore para provocar seus efeitos, sejam eles sutis ou mais evidentes.

    Trata-se muitas vezes de (re)escrever, de construir a própria história. Dizendo de maneira ampla, espera-se que através de seu percurso analítico, o/a analisante caminhe na direção de recuperar a capacidade de fruir e realizar na vida.